A Magia dos Botos Encantados

di Rafael Noleto

Os Botos compõem uma linhagem de Encantados muito vasta, mas ainda pouco trabalhada pelos médiuns em geral. É mais comum presenciar manifestações de Botos Encantados em algumas casas de culto afro-amazônico ou em ritos de pajelança cabocla. De acordo com as lendas populares do norte do Brasil, os Botos são golfinhos capazes de assumir a forma humana em noites de luar. Segundo essa crença, os Botos vêm aos povoados ribeirinhos em busca de moças para namorar

Quando assumem a forma humana, eles podem interagir em festas e são facilmente confundidos com homens comuns. Porém, algo que diferencia os Botos, além de seu charme irresistível, é o fato deles sempre estarem de chapéu, bem vestidos com terno ou roupas brancas bem elegantes.

O chapéu de um Boto serve para esconder o buraco que existe em sua cabeça, que é por onde ele respira. Em seu processo de metamorfose, o Boto conta com animais encantados que se transformam em partes de seu típico traje. Uma arraia que lhe acompanha se transforma no seu chapéu panamá, enquanto um casal de acaris ou bodós (Hypostomus plecostomus) se transforma em seu elegante par de sapatos.

Em algumas regiões ribeirinhas da Amazônia, era comum acusar os Botos de serem pais de crianças cujos pais não se conhecia. Isso porque, durante noites de luar, os Botos seduziam e mantinham relações sexuais com as moças que encontravam às margens das águas ou nas festas interioranas.

Dizem que, para dar continuidade à sua espécie de Botos Encantados, os machos precisam acasalar com mulheres humanas, pois só assim terão filhos híbridos que poderão se tornar novos Botos.

Os Botos encantados são extremamente ágeis e difíceis de serem capturados. Segundo a crença folclórica, apenas um filho de Boto pode conseguir matá-lo, utilizando um arpão; mas caso isso ocorra, o jovem se encanta e vira um novo Boto.

Esses encantadores seres atuam como guardiões dos portais da Encantaria, submersos no “Reino do Fundo”. Tanto nas águas salgadas como nas águas doces existem vários tipos de Boto, que possuem características distintas e podem se manifestar através de médiuns conectados às suas vibrações.

Na natureza, existem várias espécies de botos, dentre os quais posso citar o Boto-cor-de-rosa da Amazônia (Inia geoffrensis), o Boto-rosa-boliviano (Inia boliviensis), o Boto-do-araguaia (Inia araguaiensis), o Boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis), o Boto-cinza (Sotalia guianensis), o Boto-de-burmeister (Phocoena spinipinnis) e o Golfinho-do-rio-da-prata (Pontoporia blainvillei). Algumas espécies de Boto correm sério risco de extinção, tanto por causa da degradação ambiental como por conta da pesca predatória e perseguição desses animais por pescadores que os temem.

Como seres dotados de magia, os Botos podem encantar, abençoar e também amaldiçoar aqueles que os perseguem. São comuns os relatos de pescadores que perseguiram Botos e tiveram, na sequência, uma maré de azar e até ficaram loucos. Por outro lado, para os que os respeitam, eles são gentis e até livram do perigo.

Além dos Botos machos, também existem relatos de Botas que são capazes de se transformar em belas mulheres ou até mesmo sereias. Em algumas localidades ribeirinhas, dizem que mulheres feiticeiras ou praticantes de pajelança também têm o poder de se transformarem em Botas, em noites de luar.

Diferente dos Botos garanhões, as fêmeas são mais cautelosas quanto ao contato com os humanos e podem ser bem mais perigosas, quando se sentem ameaçadas. As Botas emitem gritos agudos, deixando pescadores atordoados e provocando perturbações mentais. Quando irritadas ou quando precisam defender seus territórios, elas também podem atacar e até mesmo devorar os homens.

Juntamente aos pajés e praticantes de magia, os Botos atuam especialmente em trabalhos de fertilidade, abertura de caminhos, cura e também em magias de amor.

Um dos primeiros Encantados que se manifestaram em mim, através do processo de incorporação, foi o Mestre Boto, que não é muito de conversar, mas possui grande sabedoria e sempre “emerge” ao nosso plano para auxiliar em trabalhos de limpeza espiritual. Geralmente o Mestre Boto vem após outras entidades, para “lavar” a sujeira astral que porventura tenha ficado no local após os trabalhos.

Quando descem nos médiuns, os Botos realizam movimentos que lembram o balanço das águas. Não gostam de ficar com a cabeça exposta, então é recomendável ter um chapéu branco especialmente para ele utilizar quando vier.

O chapéu é importante porque o Boto também pode utilizá-lo em seus trabalhos mágicos, retirando larvas astrais das pessoas e dos ambientes.

Quando a casa de magia não lhe oferece um chapéu, ele geralmente cobre a cabeça com a mão, para evitar que alguma energia opositora o atrapalhe durante a realização do seu trabalho. Uma das formas que os Botos gostam de cumprimentar as pessoas é movimentando o ombro e a cabeça.

O principal elemento de trabalho dos Botos é, sem dúvidas, a água, com a qual realizam a transmutação de energias e conduzem sua magia. Com seus passes mágicos, eles encantam poções de amor, banhos de cura, águas de limpeza e beberagens energéticas.

Quando estão incorporados com Botos, os médiuns podem realizar danças ou trabalhar no chão, com os pés juntos em forma de cauda. Os botos não costumam beber cachaça, mas gostam de beber muita água pura ou com açúcar.

Os Botos também possuem cânticos próprios, que podem ser entoados pelos fiéis durante seus cultos. Esses encantados podem trabalhar com a energia de pedras mágicas e também com a magia simbólica, através de pontos riscados ou selos mágicos.

Como oferendas, os Botos recebem pratos à base de peixe, entregues em cuias ou folhas de bananeira. Também recebem velas brancas, rosas ou azuis.

Dentre os muitos Botos que se manifestam através de processos de incorporação, nem todos falam seus nomes verdadeiros, mas alguns se apresentam ou são nomeados pelos próprios médiuns. Dentre alguns Botos conhecidos que emergem em terreiros e casas de magia, temos o Boto Branco, o Boto Malhado, o Boto Juvenal, dentre outros.

 

 Botos costituiscono una gamma molto ampia di Incantati, ma ancora poco lavorata dai medium in generale. È più comune vedere manifestazioni di Botos Incantate in alcuni luoghi di culto in Amazzonia o in riti di sciamanesimo brasiliano.

Secondo le leggende popolari del Brasile settentrionale, i Botos sono delfini capaci di assumere sembianze umane nelle notti di luna. Secondo questa credenza, i Botos arrivano nei villaggi lungo il fiume in cerca di ragazze fino flirtare.

Quando assumono forma umana, possono interagire alle feste e vengono facilmente impersonare per uomini comuni.
Tuttavia, c’è una cosa che differenzia i Botos, oltre al loro fascino irresistibile, è il fatto che indossano sempre cappelli, ben vestiti con completi o abiti bianchi molto eleganti.

Il cappello di Boto serve a nascondere il buco nella sua testa, che è dove respira. Nel suo processo di metamorfosi, il Boto ha animali incantate che diventano parte del suo costume tipico. Una pastinaca di accompagnamento diventa il suo cappello panama, mentre un paio di acaris o bodós (Hypostomus plecostomus) diventa il suo elegante paio di scarpe.

In alcune regioni lungo il fiume dell’Amazzonia, era comune accusare i Botos di essere genitori di bambini i cui genitori non erano noti. Questo perché, durante le notti di luna, i Botos seducevano e mantenevano rapporti sessuali con le ragazze che incontravano in riva al mare o alle feste di campagna.

Dicono che, per continuare la loro specie di Botos Incantati, i maschi devono accoppiarsi con donne umane, perché solo allora avranno figli ibridi che possono diventare nuovi Botos.

I delfini incantati sono estremamente agili e difficili da catturare. Secondo la credenza popolare, solo un figlio di Boto può ucciderlo con successo usando un arpione; ma se ciò accade, il giovane rimane incantato e diventa un nuovo Boto.

Questi esseri affascinanti agiscono come guardiani dei portali della “Encantaria”, sommersi nel “Regno del Fondo”. Sia in acqua salata o in acqua dolce, esistono diversi tipi di Boto, che hanno caratteristiche differenti e possono manifestarsi attraverso mediuns legati alle loro vibrazioni.

In natura, sono presenti diverse specie di delfini (Botos), tra le quali posso citare il delfino rosa dell’Amazzonia (Inia geoffrensis), il delfino rosa boliviano (Inia boliviensis), il delfino Araguaia (Inia araguaiensis) , il Boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis), il Boto-grigio (Sotalia guianensis), il Boto-de-burmeister (Phocoena spinipinnis) e il Delfino del rio-da-prata (Pontoporia blainvillei). Alcune specie di Boto sono a grave rischio di estinzione, sia a causa del degrado ambientale, sia a causa della pesca eccessiva e delle molestie di questi animali da parte dei pescatori che li temono.

In quanto esseri dotati di magia, i delfini possono incantare, benedire e anche maledire coloro che li inseguono. I rapporti di pescatori che hanno inseguito Botos sono comuni e, di conseguenza, sono stati sfortunati e persino impazziti. D’altra parte, per chi li rispetta, sono gentili e anche liberi da pericoli.

Oltre ai delfini maschi, ci sono anche segnalazioni di “Bôtas” che sono in grado di trasformarsi in belle donne o addirittura sirene. In alcune località lungo il fiume, si dice che anche le donne streghe o praticanti di sciamanesimo hanno il potere di trasformarsi in Bôtas, nelle notti di luna.

A differenza di seduttori Botos, le femmine sono più caute riguardo al contatto con gli umani e possono essere molto più pericolose quando si sentono minacciate. Gli stivali emettono grida, lasciando i pescatori storditi e causando disturbi mentali. Quando sono arrabbiati o quando hanno bisogno di difendere i loro territori, possono anche attaccare e persino divorare gli uomini.

Insieme agli sciamani e ai praticanti della magia, i Botos agiscono soprattutto negli incantesimi di fertilità, pionieri, guarigione e anche d’amore.

Uno dei primi Botos Incantati che si è manifestato in me, attraverso il processo di incorporazione, è stato Mestre Boto, che non gli piace parlare molto, ma ha una grande saggezza ed “emerge” sempre dal nostro piano per assistere nel lavoro di purificazione spirituale. Di solito, Mestre Boto viene dopo altre entità, per “lavare” lo sporco astrale che potrebbe essere rimasto nel luogo dopo il lavoro.

Quando scendono nei medium, i Botos eseguono movimenti che ricordano onde dell’acqua. A loro non piace avere la testa esposta, quindi si consiglia di avere un cappello bianco da indossare appositamente per lui quando arriva.

Il cappello è importante perché Boto può usarlo anche nel suo lavoro magico, rimuovendo le larve astrali da persone e ambienti.

Quando la casa della magia non offrirlo un cappello, di solito si copre la testa con la mano, per evitare che qualsiasi energia avversaria si intrometta mentre fa il suo lavoro. Uno dei modi in cui a Botos piace salutare le persone è muovere le spalle e la testa.

L’elemento principale del lavoro dei Botos è, senza dubbio, l’acqua, con la quale eseguono la trasmutazione delle energie e conducono la loro magia. Con i loro passi magici, incantano pozioni d’amore, bagni curativi, acque purificanti e bevande energetiche.

Quando sono incorporati con Botos, i medium possono eseguire danze o lavorare sul pavimento, con i piedi uniti a forma di coda. I delfini di solito non bevono cachaça, ma a loro piace bere molta acqua pura o zucchero.

I Botos hanno anche le loro canzoni, che possono essere cantate dai fedeli durante i loro servizi. Questi incantati possono lavorare con l’energia delle pietre magiche e anche con la magia simbolica, attraverso punti graffiati o sigilli magici.

Come offerte, i Botos ricevono piatti a base di pesce, consegnati in zucche o foglie di banana. Ricevono anche candele bianche, rosa o blu.Tra i tanti Boto che si manifestano attraverso processi di incorporazione, non tutti pronunciano i loro veri nomi, ma alcuni si presentano o sono nominati dai medium stessi.

Tra alcuni Botos noti che emergono nei terreiros e nelle case magiche, abbiamo il Boto bianco, il Boto Malhado, il Boto Juvenal, tra gli altri.

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